Diagnóstico apenas por sinais e sintomas da DTM / ATM

Há muito tempo que a Escola Neurofisiológica Mensurativa da ATM vem ampliando os conhecimentos acerca das etiologias (origens ou causas) das patologias da ATM, incorporando protocolos de diagnósticos que condizem com inúmeras publicações em revistas científicas. Essas informações são constantemente discutidas em nosso portal seja em forma de post ou resposta aos internautas. Um exemplo disto é o diagnóstico da causa de um deslocamento anterior do disco, pois sabemos que pode ocorrer por um trauma, doença autoimune, infecção, ou até mesmo por um conjunto destes fatores. Neste contexto um exame clínico refinado e a interpretação correta de exames como a ressonância nuclear magnética são fundamentais para o diagnóstico correto, podendo ainda ser necessário outros exames complementares.

Sabemos que outras filosofias de tratamento fazem diagnóstico puramente baseado em sinais e sintomas encontrados no momento da consulta.

Ora, e qual o problema neste modelo de diagnóstico? Na realidade existem vários problemas, mas neste post gostaria de destacar dois deles:

  1. Limitação da análise dos agentes etiológicos envolvidos na doença;
  2. Acurácia limitada para o diagnóstico correto;

Estes problemas podem ser demonstrados ao analisarmos o principal e mais aceito questionário utilizado em pesquisa pelo modelo biopsicossocial/multifatorial, conhecido mais recentemente com o nome de DC/TMD (Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders ou Critério de Diagnóstico para Disfunção Temporomandibular), o qual é dividido em dois eixos, onde o primeiro traz como possibilidades de diagnósticos três grupos assim denominados:

  • Grupo I – Diagnósticos de dor (dor muscular/artralgia/dor de cabeça)
  • Grupo II – Desarranjos internos da ATM (deslocamentos de disco)
  • Grupo III – Processos degenerativos da ATM (ex.: osteoartrite)

Estudos de acurácia do DC/TMD (feito pelos próprios desenvolvedores) apontam baixo índice de especificidade e principalmente sensibilidade para o grupo II e III. Em outras palavras, o questionário não é adequado para o diagnóstico do deslocamento do disco, muito menos da sua causa.

Publicação recente demonstra que questionário DC/TMD não é adequado para o diagnóstico, mas apenas para triagem.

Mais interessante ainda é que apenas recentemente, em junho de 2016, os principais autores do DC/TMD afirmam claramente que o diagnóstico dos distúrbios intra-articulares (grupo II e III) do DC/TMD servem apenas como uma triagem e que para o diagnóstico definitivo faz-se necessário ressonância magnética e/ou tomografia computadorizada. Observe texto destacado abaixo

Artigo sobre diagnóstico da ATM pelo DCTMD

Diagnóstico da ATM pelo DCTMD

Por fim, minha reflexão sobre esta recente publicação é que mesmo com a inclusão de outros meios de diagnóstico, o DC/TMD está longe de resolver o primeiro problema citado neste post que é a falta de entendimento dos agentes etiológicos envolvidos na artropatia da ATM.