Qual o melhor tratamento para DTM e problemas na ATM?

A pergunta sobre qual é o melhor tratamento para os problemas da ATM é uma pergunta comumente feita pelos nossos pacientes portadores de patologias das articulações temporomandibulares e, para o espanto dos mesmos, esta pergunta é frequentemente realizada pelos próprios profissionais que militam na área.

Durante anos buscando minha formação pude presenciar inúmeras tentativas de respostas, seja por estudos científicos publicados em periódicos ou mesmo em palestras dos mais renomados professores nacionais e internacionais. Algumas delas se repetiam com tanta frequência que muitos a entendiam como uma verdade absoluta, porém anos depois viream a cair por terra com o avanço das pesquisas, a exemplo dos tratamentos que envolviam ajuste oclusal definitivo, entre outros. Entretanto, a maioria das respostas acerca dos tratamentos mais indicados para os problemas da ATM tinham pontos em comum: tratamentos menos invasivo (conservador); tratamentos reversíveis; tratamentos que diminuem ao máximo os sintomas (preferencialmente >70%).

Considerando a luz da ciência atual, qual seria o melhor tratamento para as doenças da ATM?

Sem dúvida alguma posso afirmar que o melhor tratamento é aquele que incide ou age sobre o fator etiológico (ou seja, que age sobre o que causa a artropatia, ou seja, a doença articular temporomandibular), seja eliminando ou estabilizando o agente etiológico (causador), e não apenas um tratamento que atue nos sinais e sintomas de forma paliativa, ignorando as possíveis causas.

O mais interessante é que muitos autores que seguem o modelo Biopsicossocial concordam que o tratamento deveria ser anti-etiológico, observem por exemplo o quadro abaixo elaborado pelo Charles Greene, onde o mesmo informa que o tratamento ideal não é viável neste momento.

Quadro Green - Diagnóstico, Etiologia e Tratamento da ATM         Quadro Green - Diagnóstico, Etiologia e Tratamento da ATM (Traduzido)

No entanto, a pergunta que me faço é: Quando nós da Escola Neurofisiológica diagnosticamos processos infecciosos e intervimos com antimicrobianos, diagnosticamos alterações ortopédicas mandibulares e alinhamos o posicionamento mandibular, ou ainda, quando identificamos problemas de ordem autoimune e tratamos em parceria com diversos profissionais de saúde, não estamos atuando de forma a reverter ou estabilizar o agente etiológico?

Estes são pequenos exemplos da atuação de uma escola que está pautada no diagnóstico e no tratamento das patologias da ATM sempre baseado no diagnóstico e na compreensão do agente causador da doença articular que afeta a ATM. Esta é sem dúvida a melhor maneira de reverter ou estabilizar o agente causador da doença articular, eliminando ou controlando os sintomas e recuperando a saúde da articulação e a qualidade de vida do paciente.

Por fim entendemos que o tratamento paliativo dos sintomas da ATM podem ser importantes para alguns casos, mas este deve ser empregado apenas quando não houver compreensão da etiologia ou quando não for possível atuar diretamente sobre o agente etiológico.