Tratamento DTM Muscular e Dores Refratárias - Por que as dores não melhoram?

Recentemente tenho recebido muitas  mensagens de pacientes com as chamadas dores musculares refratárias, que são aquelas dores que recebem o diagnóstico de “DTM muscular” e que respondem muito mal aos tratamentos convencionais, continuando presente na vida dos pacientes.

Entretanto há algumas razões para haver essa perpetuação do quadro de dor. Três delas são:

  1. a presença de um processo patológico ativo na ATM, que afeta a forma como os músculos funcionam;
  2. a presença de dor referida, isto é, dor com origem em outros lugares, como no músculo trapézio por exemplo, mas que é sentida nas áreas  dos músculos mastigatórios e;
  3. a presença de uma inflamação sistêmica crônica, a chamada síndrome inflamatória.

O item numero (1), a presença de um processo patológico na ATM, é uma das principais causas de perpetuação da dor de quem tem um diagnóstico de DTM muscular e não vem tendo sucesso com o uso de placas miorrelaxantes, jigs, infiltrações, agulhamento seco, toxina botulínica, etc., pois infelizmente é muito comum haver lesões articulares que não são detectadas por apenas exame físico e que levam a um diagnóstico de “DTM muscular”.

O item (2), a presença de dor referida, é de um modo geral bem observada e analisada pela maioria dos profissionais especialistas em DTM e acabam recebendo um adequado encaminhamento para um fisioterapeuta e/ou médico da dor. O problema é que nem sempre a origem da dor, a exemplo de um problema cervical, é facil de ser resolvido, resultando em uma sustentação dos sintomas que se refletem nos músculos da face.

Entretanto o terceiro item, a síndrome inflamatória, tem um impacto muito grande em todas as formas de tratamento e, quando negligenciada, se torna a base da cronificação da dor.

Por trás da síndrome inflamatória, há sempre problemas nutricionais, metabólicos e/ou endócrinos que mantem um quadro de dor sustentada, de difícil controle e que mascara os parâmetros neurofisiológicos, que nós da escola neurofisiológica mensurativa de patologia da ATM usamos para nos guiar. Com isso, procedimentos como a desprogramação eletrônica mandibular, a avaliação eletromiográfica e demais testes funcionais ficam comprometidos. Nestes casos, os dispositivos intra-orais dificilmente estarão cumprindo a função.

O caso da Amanda Meneses é um exemplo (e que exemplo!).

Abaixo temos uma imagem por termografia infra-vermelha da face mostrando a face tomada por inflamação, com quadro de dor generalizado, respostas eletromiográficas pobres, dor à palpação de todos os grupos musculares da face  e dor espontânea na região  das têmporas e ATM.

Inflamação generalizada na face - DTM Muscular e Tratamento da ATM

Inflamação generalizada na face

No caso dela, descobrimos alterações importantes no funcionamento da tireoide, bem como alterações do pâncreas (e outros órgãos) que estão diretamente ligadas aos mecanismos de inflamação e sustentação da dor crônica.

Outros sintomas da paciente que chamam a atenção para problemas sistêmicos deste tipo (ou similares) e que você, caso possua uma dor muscular crônica, deve prestar a atenção é:

  • sensibilidade ao frio
  • facilidade de ganho de peso
  • fadiga constante
  • recuperação lenta de esforço físico
  • Retenção de líquidos  – inchaço no rosto e/ou nas pernas
  • sensação de calor na face (“rosto quente”)
  • dificuldade de concentração
  • perda de memória
  • dificuldade de levantar pela manhã
  • dificuldade para pegar no sono à noite
  • sono que não a sensação de repouso
  • garganta frequentemente inflamada
  • inflamação de gânglios sem causa aparente
  • dentre outros

Um plano de tratamento foi então elaborado, em conjunto com o médico Dr. Gustavo Santos, levando em consideração o diagnóstico das condições sistêmicas e da situação da ATM.

Na figura abaixo, vemos o resultado do controle da inflamação na face ao longo de algumas sessões de tratamento.

Redução da inflamação na face no tratamento da ATM - DTM e dores Musculares

Redução da inflamação na face

A partir daí, pude trabalhar os aspectos próprios da ATM, como a descompressão articular e a recuperação neurofisiológica. Mas a pergunta é: quão assintomática ela poderá ficar?

A resposta para essa pergunta eu vou deixar para a própria Amanda responder.

Agradecimento especial à Amanda, por permitir compartilhar o caso dela aqui no Portal e ao seu namorado, sempre presente ( e agora “cinegrafista” do vídeo acima – rsrsrs ), Leonardo Santana!