É possível tratar seriamente uma patologia da ATM sem ressonância magnética (RM)?

A RM é o único exame de imagem capaz de possibilitar uma visualização direta do disco articular e dos ligamentos da ATM. Nenhum outro exame, mesmo a tomografia computadorizada, serve como substituto pois não permitem visualizar com precisão os tecidos moles.

O hidrogênio, um dos elementos mais abundantes no corpo humano, é o principal responsável pela formação da imagem de RM, tornando possível a formação de imagens de diversos órgãos e tecidos que não são bem visualizados em outros exames de imagem.

Desta forma, se não solicitarmos uma RM da ATM, não poderemos saber, por exemplo, a posição do disco, o grau de desidratação ou a integridade estrutural do mesmo, se há uma distensão ou ruptura de algum ligamento, se há necrose medular no côndilo, dentre outras tantas lesões que podem ser visualizadas.

Então pergunto: como iniciar um tratamento apropriado sem saber o que está acontecendo na ATM?

Na imagem acima podemos ver uma RM de uma paciente onde os côndilos da ATM estão bastante lesionados e apresentando duas pequenas “pontas” (setas verdes) fruto de um processo degenerativo causado por uma bactéria. Essa paciente não conseguia abrir a boca e havia piorado da dor após um tratamento que foi realizado com base em manobras de manipulação da mandíbula.

Ora, ao movimentar a mandíbula manualmente, as “pontas” eram forçadas contra o disco (em amarelo) que se encontra completamente deslocado para anterior, então a cada tentativa de abertura da boca com manobra de abertura passiva, ativa ou com ajuda de instrumentos, o quadro piorava a longo prazo.

Como poderíamos saber disso sem uma RM?

Com um exame de raios-x ou uma tomografia até consegue ver as “pontas” (osteófitos, na nomenclatura científica) mas não consegue ver que a ruptura do ligamento e a lesão do disco (seta amarela) provocadas pelo atrito destes osteófitos ao tentar abrir a boca.

Por motivos similares a estes é que sempre reforço que para um tratamento da ATM ser bem elaborado, tem de estar bem suportado por uma investigação detalhada ainda na fase de diagnóstico, o que inclui RM como item fundamental e, com freqüência, mais alguns exames de imagem para complementar como a tomografia computadorizada.